A batalha interna de deixar alguém entrar
Tem uma coisa que ninguém te prepara: a guerra que acontece dentro de você quando algo bom aparece.
Você passa anos construindo uma fortaleza. Aprende a se bastar. Descobre que está tudo bem sozinha, que a vida funciona, que você não precisa de ninguém pra ser feliz. E isso é verdade. Não é armadura. É conquista.
Mas aí alguém aparece. E essa pessoa não tenta derrubar seus muros — ela só fica ali. Consistente. Presente. Sem pressão.
E é aí que a batalha começa.
Uma parte de você quer. Quer muito. Reconhece algo ali que vale a pena. Sente uma coisa diferente, um conforto que não costumava existir.
A outra parte entra em pânico. Grita que é cilada. Que você vai se machucar. Que é mais seguro ficar onde está, protegida, inteira. Que abrir a porta é arriscado demais.
A gente aprende a se proteger tão bem que, quando finalmente aparece algo que não precisa de proteção, a gente não sabe o que fazer.
Eu vivi isso. Cada encontro era um cabo de guerra interno. O coração querendo ficar, a cabeça querendo fugir. E não era medo dele — era medo de mim. De me permitir. De admitir que eu queria aquilo.
Porque querer é se expor.
E eu tinha ficado tanto tempo sem querer nada daquele tipo que tinha esquecido como era. Tinha esquecido que vulnerabilidade não é fraqueza. Que deixar alguém entrar não significa que você vai se perder.
A fortaleza que você construiu não precisa desmoronar. Você só precisa abrir uma porta.
E a pessoa certa não vai invadir. Vai esperar você deixar entrar.
Foi o que ele fez. Esperou. Toda vez que eu recuava, ele continuava ali. Não insistindo, não forçando — só presente. Como se soubesse que a batalha era minha, e que eu ia vencer no meu tempo.
E venci.
Não de uma vez. Não num momento épico de revelação. Foi aos poucos. Um dia de cada vez. Uma porta entreaberta que foi abrindo mais, até eu perceber que já não fazia sentido manter fechada.
Se você está nessa guerra agora, eu só quero dizer: a batalha é real. O medo é válido. Mas nem tudo que assusta machuca.
Às vezes, o que mais assusta é justamente o que vai te fazer bem.
Ana Jú