A beleza de um dia sem nada pra fazer

Acordei hoje sem despertador. Sem compromisso. Sem lista de tarefas gritando na minha cabeça.

E por um segundo, senti culpa.

É automático. A gente é tão programada pra produzir, pra fazer, pra ser útil, que um dia vazio parece desperdício. Parece que você está devendo algo pra alguém — mesmo que esse alguém seja só você mesma.

Mas aí eu respirei. Fiz um café sem pressa. Sentei na janela e fiquei olhando pra fora, sem pensar em nada específico. Deixei o tempo passar no ritmo dele, não no meu.

Tem uma beleza enorme em não ter nada pra fazer. E a gente desaprendeu a enxergar isso.

Quando foi que descansar virou luxo? Quando foi que “não fazer nada” virou sinônimo de preguiça, de fracasso, de falta de ambição?

Eu passei anos correndo. Correndo atrás de relacionamento, de carreira, de uma versão de mim que eu achava que precisava ser. Sempre o próximo objetivo, a próxima meta, a próxima coisa a conquistar.

E sabe o que eu descobri? Que a vida não acontece só nos grandes momentos. Ela acontece no café da manhã silencioso. Na tarde sem planos. Na noite que termina cedo porque você simplesmente… quis.

Hoje eu defendo meus dias vazios com unhas e dentes. Não são dias perdidos. São dias de respiro. Dias em que eu lembro quem eu sou quando não estou tentando ser nada.

Não precisa de viagem, de evento, de experiência instagramável. Às vezes a melhor coisa que você pode fazer por si mesma é simplesmente… não fazer nada.

E deixar isso ser suficiente.

Ana Jú