Coisas que eu diria pra mim mesma de 5 anos atrás
Se eu pudesse sentar com a Ana Júlia de cinco anos atrás, acho que ela não ia querer me ouvir.
Não por teimosia. Mas porque ela estava tão ocupada existindo que não achava que precisava de conselho nenhum. E, honestamente? Ela estava certa.
Mas ainda assim. Se eu pudesse, diria algumas coisas.
Diria que esse muro que você construiu é mais alto do que você pensa. Você acha que ele é do tamanho certo — só o suficiente pra proteger. Mas ele esconde coisas que você nem sabe que está escondendo. Um dia você vai perceber isso. Não porque alguém vai te mostrar, mas porque alguém vai ficar do lado de fora tempo suficiente pra você mesma querer abrir.
Diria que você não está errada em não querer ninguém. Que isso não é fase, não é defesa, não é problema. É só onde você está. E tá tudo bem estar aí.
Você não precisa de conserto. Nunca precisou.
Diria que vai ter um cara que passa na frente do seu prédio toda semana com uma cadela. Que vocês vão se cruzar dezenas de vezes sem nunca se ver. Que quando finalmente se encontrarem, você vai querer fugir. E que fugir vai ser o seu jeito de dizer que ele importa.
Diria pra não ter medo disso.
Mas sei que você vai ter. E tá tudo bem também.
Diria que aquela coisa que você faz — de abrir e fechar, de querer e recuar, de construir ponte e levantar muro no mesmo dia — não é defeito. É o jeito que você aprendeu a sobreviver. E funcionou. Até o dia em que não precisou mais funcionar.
Diria que você vai casar. Sei que isso soa absurdo agora. Sei que você revirou os olhos. Mas vai. E não vai ser porque você mudou ou porque finalmente superou alguma coisa. Vai ser porque a vida faz isso às vezes — coloca alguém no seu caminho quando você nem está olhando pro mapa.
Diria que você vai continuar sendo você. Forte, inteira, meio desconfiada. Só que com alguém do lado que não se importa de esperar você destrancar a porta. Toda vez.
E diria uma última coisa, talvez a mais importante:
Para de se cobrar por sentir. Tudo bem ter medo. Tudo bem não saber. Tudo bem estar bem e mesmo assim ter dias ruins. Você não precisa ser perfeita na forma como lida com as coisas. Só precisa ser honesta.
Cinco anos atrás eu não teria acreditado em nada disso.
Mas teria gostado de ouvir.
Ana Jú