Manhãs de domingo e o que elas significam pra mim

Domingo de manhã não é descanso. É uma negociação.

Tem o silêncio bom — aquele que parece um cobertor por dentro. E tem o silêncio que vem com um aviso: daqui a pouco o mundo volta a ligar o som. Domingo tem essa cara de pausa que não é inteira. É quase. E, por isso mesmo, mexe com a gente.

Eu conheço bem as manhãs de domingo sozinha. E é importante dizer isso do jeito certo: eu não sofria. Não era espera. Não era buraco. Era só… a vida acontecendo. Eu acordava, fazia um café, deixava o tempo andar sem pedir licença. Não tinha drama, não tinha um “por que eu estou sozinha?” na minha cabeça. Tinha uma mulher vivendo, e isso era suficiente.

Mas mesmo assim, domingo sempre teve um gosto diferente. Não de falta — de limbo.

É o dia em que a gente se dá permissão pra ser um pouco mais lenta… e, ao mesmo tempo, sente uma ansiedade sem nome tentando entrar pelas frestas. Como se o corpo lembrasse, antes da mente, que amanhã tem começo. E começo sempre cobra alguma coisa.

Domingo de manhã é quando eu percebo o quanto eu preciso de espaço — não pra fugir da vida, mas pra caber nela.

Hoje eu vivo domingos acompanhada. Às vezes tem café dividido, uma conversa baixa, o barulho de alguém abrindo a janela. Às vezes tem planos. Às vezes não tem nada. E a parte bonita é que, mesmo com amor dentro de casa, eu ainda preciso daquele cantinho de domingo em que eu não performo nada. Nem força. Nem alegria. Nem produtividade.

É nesse horário que o bluebird aparece mais fácil. Não como espetáculo. Como presença. Um pensamento que chega sem empurrão. Uma emoção que eu não preciso justificar.

Eu acho que domingo de manhã me lembra disso: que eu posso estar amando, trabalhando, correndo, construindo… e ainda assim precisar parar. Não pra “me consertar”. Só pra me encontrar.

Se você também sente esse estranho misto de paz e aperto aos domingos, e quiser me contar como é o seu, me escreve: anajuliadannenhauer@gmail.com

Ana Jú