O luto de quem você era antes
Ninguém fala sobre isso, mas a gente também faz luto de si mesma.
Da versão que tinha 20 anos e achava que sabia tudo. Da que fazia planos mirabolantes pro futuro. Da que acreditava que a vida ia seguir um roteiro mais ou menos previsível.
Eu sinto falta dela às vezes. Da Ana Júlia de antes. Não porque ela fosse melhor — só porque ela era… diferente. Mais ingênua, talvez. Mais leve em alguns aspectos. Menos consciente de certas coisas.
Mas ela precisou ir embora pra essa aqui poder existir.
Crescer muda a gente. Não tem como passar pelos anos sem virar outra pessoa. E tá tudo bem sentir falta de quem você era — mesmo sabendo que não dava mais pra continuar sendo.
Tem dias que eu olho pra trás e penso em como eu era diferente. As certezas que eu tinha. A energia pra coisas que hoje me cansam. A capacidade de se jogar em tudo sem pensar muito nas consequências.
A vida vai tirando algumas coisas e colocando outras no lugar. Você perde um pouco da ingenuidade, mas ganha experiência. Perde um pouco da impulsividade, mas ganha clareza sobre o que quer. Perde aquela sensação de que tudo é possível, mas ganha algo mais real — a certeza de que você aguenta o que vier.
Não melhor, necessariamente. Só… diferente.
A mulher que eu sou hoje não é a versão final. Ainda estou mudando, ainda estou aprendendo. E daqui a dez anos, provavelmente vou olhar pra essa versão de agora e sentir um pouco de saudade também.
E tudo bem.
Faz parte. A gente é várias pessoas ao longo de uma vida. E cada uma delas merece um momento de reconhecimento antes de ir embora.
Ana Jú