O que significa ser uma mulher forte

A sociedade tem uma ideia muito específica do que é ser uma mulher forte. A que dá conta de tudo. A que não chora. A que resolve sozinha. A que não precisa de ninguém.

Por muito tempo, eu achava que era isso. Força era autossuficiência total.

E olha, eu era autossuficiente. Pagava minhas contas, resolvia meus problemas, tocava minha vida sem precisar de ajuda. Isso me dava orgulho. Ainda dá.

Mas em algum momento eu percebi uma coisa: ser forte não é a mesma coisa que ser dura.

Força de verdade não é nunca precisar de ninguém. É saber quando pedir ajuda — e não sentir vergonha disso.

A mulher forte que eu admiro não é a que aguenta tudo calada. É a que sabe dizer “não estou bem”. É a que consegue ser vulnerável. É a que pede colo quando precisa e não sente que está falhando por isso.

Tem uma diferença enorme entre independência e isolamento. Você pode ser completamente capaz de viver sozinha e ainda assim escolher dividir a vida com alguém. Você pode resolver seus problemas e ainda assim aceitar ajuda quando oferecem.

Acho que o erro é tratar vulnerabilidade como fraqueza. Como se mostrar que você sente, que você precisa, que você é humana fosse motivo de vergonha.

Não é.

Pedir ajuda não diminui ninguém. Chorar não te faz menos capaz. Precisar de um abraço não apaga tudo que você conquistou sozinha.

Ser forte é também saber a hora de ser mole. De ceder. De deixar alguém cuidar de você.

E isso, pra mim, é muito mais difícil do que dar conta de tudo sozinha.

Ana Jú