Quando o amor aparece sem você estar procurando

Eu não estava procurando nada.

Não é força de expressão. Não é aquela coisa de “parei de procurar e aí encontrei”. Eu genuinamente não estava pensando no assunto. Relacionamento não era uma pauta na minha vida. Não era uma preocupação, não era um objetivo, não era nem um desejo ativo.

Estava vivendo. Trabalhando, vendo amigos, visitando família. Uma vida cheia de coisas acontecendo. Não faltava nada.

E aí, no meio dessa vida que já estava completa, alguém apareceu.

Não foi mágico no sentido de filme. Foi simples. Uma conversa que fluiu. Um interesse genuíno. Uma conexão que não precisou de esforço pra existir.

É engraçado como as pessoas reagem quando você conta essa história. “Ah, você parou de procurar e aí encontrou!” Como se fosse uma fórmula. Como se eu tivesse descoberto o segredo.

Não é isso.

Não foi que eu parei de procurar — é que eu nunca estava procurando. Pelo menos não durante aqueles anos. Não acordava pensando nisso, não ia dormir pensando nisso. Era simplesmente… irrelevante.

Às vezes penso no que teria acontecido se a gente tivesse se cruzado antes, quando eu era mais nova, em outra fase. Será que eu teria reconhecido o que ele era? Provavelmente não. A gente precisava estar onde estava pra poder se ver.

O que importa é que eu estava inteira quando ele chegou. Não estava preenchendo um buraco, não estava buscando alguém pra me completar. Estava bem. E ele também.

Talvez seja isso. Não é sobre parar de procurar. É sobre estar tão bem com você mesma que a presença de outra pessoa vira escolha, não necessidade.

Ana Jú