Vulnerabilidade como força, não fraqueza
A gente aprende que vulnerabilidade é o oposto de força.
Que chorar é fraqueza. Que admitir que está com medo é se expor demais. Que precisar de alguém é depender. Que mostrar o que você sente de verdade é dar munição pra te machucarem.
E aí a gente vai endurecendo. Construindo camadas. Virando alguém que não precisa de nada nem de ninguém. E isso funciona, por um tempo.
Até você perceber que virou uma fortaleza vazia.
Demorei anos pra entender que vulnerabilidade não é fraqueza. É o contrário. É coragem.
Porque qualquer um consegue fingir que está bem. Qualquer um consegue sorrir quando está sangrando por dentro. Qualquer um consegue manter a máscara no lugar.
Mas tirar a máscara? Mostrar o que está por baixo? Isso só quem é forte faz.
Ser vulnerável não é se entregar ao que machuca. É confiar o suficiente pra mostrar quem você é de verdade.
Eu passei anos sendo forte do jeito errado. Sozinha, inteira, impenetrável. Ninguém entrava. Ninguém via. E eu achava que isso me protegia.
Protegia, sim. Mas também me isolava.
Quando conheci meu marido, tive que aprender tudo de novo. Porque pela primeira vez em muito tempo eu queria deixar alguém ver. E isso me assustava mais do que qualquer coisa.
Vulnerabilidade com a pessoa errada é perigoso. Mas com a pessoa certa? É libertador.
Não é se abrir pra qualquer um. Não é expor suas feridas pro mundo todo ver. É escolher com cuidado com quem você divide o que tem de mais frágil dentro de você.
E quando você encontra alguém que não usa isso contra você, que acolhe em vez de julgar, que fica em vez de fugir — aí você entende.
Vulnerabilidade não é fraqueza.
É a coisa mais corajosa que você pode fazer.
Este blog é isso. É eu tirando a armadura. Deixando o bluebird voar, como diria Bukowski. Mostrando a parte que eu escondi durante tanto tempo — não porque era fraca, mas porque eu não sabia que era seguro mostrar.
Agora eu sei.
E se você ainda está aprendendo, saiba: não tem nada de errado em ter medo. Mas também não tem nada de errado em ser vista.
Ana Jú